Muitos estão "distantes do trono".
Voltemos ao evangelho Puro e Simples.
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"Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus." Mateus 10-32.
Um
cavalheiro chamado Renato desferiu de cara quatro tuites que parecem
ter saído de dentro do ringue: “Gosto é como nariz, cada um tem o seu…
então pegue sua hipocrisia e vai ler a bíblia”, me disse esse suposto
cristão. E, não satisfeito, continuou: “Aposto que não está lendo a
bíblia as 3:30h. Com certeza em algum site pornô ou coisa parecida… isso
sim é coisa de quem julga os irmãos… Farizeu.” Tenho de confessar:
fiquei pasmo. Nem adiantava dizer que ler a Biblia era exatamente o que
eu estava fazendo. Simplesmente, pela primeira vez na vida, dei block no
“irmão” (meu Deus, quem discipula um homem desses?) Dois “cristãos” me
chamaram de hipócrita. Mais um de fariseu. Outros usaram termos que eu
prefiro não repetir aqui porque este é um blog para pessoas cristãs, ou
seja, que não apreciam linguajar torpe. E, depois de falar assim com um
irmão, vão às suas igrejas, louvam de mãos levantadas, tomam a Ceia do
Senhor e creem que estão agindo como filhos de Deus.
Bem,
eu não entro no mérito do gosto pessoal de cada um. Tem gente que gosta
de briga de galos. Na antiguidade, as hordas se divertiam com os
gladiadores do Coliseu. O ser humano sempre foi atraído por violência,
gosta de filmes como os de Charles Bronson e tudo isso naturalmente é
consequência da entrada do pecado no gênero humano – ou você consegue
imaginar Adão antes da queda ou mesmo Jesus na primeira fileira de um
estádio (ou o correto é falar ginásio, não sei), vibrando e gritando:
“Vai, Belfort, arrebenta ele! Quebra esse jumento!” – palavras verídicas
que reproduzo do tuiter de um homem que se diz cristão e estava
assistindo ao massacre. Pode me chamar de hipócrita, fariseu ou careta,
mas eu não consigo imaginar isso.
Muito
disso tem a ver com nossos modelos. Hoje em dia os principais líderes
evangélicos que estão na TV e na Internet são homens agressivos,
verborrágicos e ofensivos, que usam termos como “trouxa” e “bundão” para
se referir a irmãos na fé. Por outro lado há denominações religiosas
que têm como nicho esportistas e por isso incentivam esportes de contato
e que defendem esse tipo de prática e comportamento. Pronto: junta isso
tudo e temos uma legião de “cristãos” que serão ensinados a cada culto
ou programa na Internet ou na televisão que ofender, agredir, atacar,
revidar e coisas similares é algo aceitável dentro do verdadeiro
Cristianismo. E isso, naturalmente, em especial é algo atraente para os
jovens, cheios de testosterona.
No
Sermão do Monte, Jesus ensina a dar a outra face, a andar a segunda
milha. Diz que os pacificadores e os mansos são bem-aventurados. Em
momento algum você vê nos discursos do Mestre incentivo à violência.
Pelo contrário, quando ele diz aos seus discípulos que eles seriam
perseguidos pela fé, a sua ordem é que fujam e não que revidem. Olhe
esta foto à esquerda: você consegue encaixá-la nas bem-aventuranças ou
consegue imaginar que isso seja algo que deixe Jesus de Nazaré feliz? E
se alguém vier com a história da derrubada das mesas dos cambistas no
templo eu nem entro por esse mérito, apenas sugiro que pegue um bom
livro que explicará que aquilo não foi um ato de violência, mas de
limpeza e purificação motivado por desonestidade e exploração na hora
das negociações que aqueles homens faziam.
A
verdade é que grande parcela da igreja visível no Brasil está doente,
muito doente. Cega, não enxerga o que a Bíblia diz. Sem estudo
teológico, não compreende as realidades das Escrituras. Carnal, não vive
as disciplinas espirituais e por isso não tem intimidade com o Deus
vivo. E, com isso, nós criamos os nossos gladiadores cristãos: homens e
mulheres que vibram com a violência (mascarada sob alcunhas simpáticas,
como “esporte”, “competição”, “profissão”, “artes marciais” ou o que for
– mas que não passam de nomes socialmente aceitáveis para definir a
mesma coisa: pancadaria). Que exultam com seres humanos aos chutes,
socos, murros, pancadas, joelhadas e outras atitudes que, digo
novamente, não consigo imaginar Jesus fazendo ou mesmo se alegrando por
ver.
Pior:
trazem a violência para fora dos ringues. Estão tão transtornados (ou
você acha que assistir a esses gladiadores em ação não mexe com o
instinto violento de quem vê as lutas?) e salivando com os golpes e as
agressões que exportam toda essa testosterona para o mundo das palavras.
Intolerantes, agridem quem discorda deles. Não sabem argumentar ou
dialogar: partem pro braço. “Te pego lá fora, seu cristão que é contra a
violência!’, parecem dizer. E com isso a igreja visível segue crescendo
como orpóbrio dentro da sociedade secular; nós, cristãos, continuamos
sendo vistos como tão mundanos como qualquer outro segmento da sociedade
e os valores do mundo continuam se alastrando descontrolados entre o
povo de Deus. Ou seja: não nos tornamos em nada diferentes do mundo.
Somos tão violentos, agressivos, espancadores, humilhadores, “trouxas” e
“bundões” como qualquer não-cristão.
O
tal pastor disse em maiúsculas no tuiter que “UFC É PAIXÃO NACIONAL”.
Certamente não é a paixão da nação celestial nem motivo de admiração
para os verdadeiros peregrinos que caminham por esta terra estranha
vendo esses espetáculos grotescos e animalescos sendo aceitos por
aqueles que deveriam pregar a mansidão, a humildade de espírito, o amor.
Jesus disse que deveríamos ser sal da terra e luz do mundo e que, se
não fôssemos, só serviríamos para sermos “lançados fora e pisados pelos
homens”. Aí eu leio coisas como…
Então muitos de vocês ainda estão se perguntando o porquê de o blog ter esse nome. Naturalmente, Jesus Cristo não fechava os olhos à corrupção prevalecente entre tais cobradores, mas estava sempre disposto a ajudá-los espiritualmente. Por isso foi taxado por seus inimigos como “amigo de cobradores de impostos e de pecadores”, Mateus 11:19.
Tenho
um pensamento sobre o amor que não é muito popular nos nossos dias –
mesmo entre muitos cristãos. E aqui falo de amor entre homem e mulher
mesmo, amor romântico. Você poderia se perguntar o que um post sobre
esse assunto está fazendo num blog que se propõe a falar das coisas de
Deus. Eu responderia: tem tudo a ver. Pois acredito que sem compreender
plenamente o amor entre um homem e uma mulher é impossível compreender
em sua plenitude o amor entre o Cordeiro e sua Noiva.
Minha
primeira ideia polêmica é que o amor verdadeiro dura por toda a vida – é
eterno. “O amor jamais acaba”, diz 1 Coríntios 13.8. Quando ouço alguém
dizer “o amor acabou”, me perdoe, mas em minha opinião o que havia era
outro tipo de sentimento, fosse atração, carinho, uma grande amizade,
devoção, companheirismo, o que for… mas não amor. Pois o amor é aquele
que supera a esperança, que supera a fé, que permanece. Sei da exegese,
sei do ágape, sei do amor divino, mas também sei que o amor verdadeiro
foi criado por Deus para perdurar. Alguém com um mínimo de conhecimento
bíblico consegue acreditar que Deus criou o amor para acabar? Que Deus
criou algo tão entranhável, transformador, vital e extraordinário com
prazo de validade? Acreditar nisso seria ir contra a essência do próprio
Deus que é eterno e é amor.
Já
ouvi também que em casais que ficam casados por muito tempo “o
sentimento muda”. Que “vira carinho”, “vira companheirismo”. Também não
acredito nisso. Conheço casais idosos que estão juntos há 40, 50, 60
anos e que se AMAM de verdade, como dois adolescentes. Que gostam de
caminhar de mãos dadas, que se mandam bilhetinhos apaixonados, que
morrem de saudades um do outro. Que, ao falecer um, o outro definha de
desgosto e parte pouco tempo depois. Não, não creio que amor que seja
amor vire companheirismo. Não acredito que maçãs virem pêras só porque o
tempo passou e as frutas passaram muito tempo convivendo no mesmo
cesto. Maçãs serão sempre maçãs.
Felizes
são os que constroem uma vida junto com aqueles que realmente amam.
Pois aí o divórcio será uma possibilidade impossível. E especulo que
Jesus permite o divórcio em apenas uma exceção, as práticas sexuais
ilícitas ["Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher,
exceto por imoralidade sexual e se casar com outra mulher, estará
cometendo adultério" (Mt 19.9)] por saber que a parte vilipendiada amava
de fato a que a vilipendiou a ponto de sofrer tanto que não conseguiria
continuar convivendo com a memória daquela atitude ilícita. E faço
questão de frisar aqui: creio firmemente que mesmo nessas situações a
primeira opção e o padrão ideal de Deus seja a reconciliação. “Eu odeio o
divórcio”, diz o Senhor, o Deus de Israel” (Ml 2.16).
Ou
seja: quer ter certeza de que ama alguém? Assegure-se de que você
ofereceria alegremente sua vida por ela. Se a resposta for “sim”, você a
ama de verdade. Pois esse é o padrão que Jesus nos legou: Ele amou
tanto e tão eternamente sua noiva que abdicou de si por ela. Se você
ficar na dúvida… não se case, pois pode não ser amor.